Uma breve exposição de leitura, letramento e alfabetização

É muito comum que as pessoas façam confusão entre os processos de alfabetização e letramento, bem como de acharem que a leitura está diretamente ligada à linguística, porém, estes processos são distintos e específicos, com bases cognitivas e de linguísticas específicas e devem ser contemporâneos, atuando ao mesmo tempo.
Numa breve apresentação, para SOARES (2009, p. 34), letramento é,
“O resultado da ação de ensinar ou de aprender a ler e escrever, bem como o resultado da ação de usar essas habilidades em práticas sociais, é o estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da língua escrita e de ter-se inserido num mundo organizado diferente: a cultura escrita.”
Ou seja, é o desenvolvimento de habilidades do uso da tecnologia escrita no contexto social e cultural em que as pessoas vivem; e alfabetização é o sistema de representação dos sons da fala, ou seja, a transformação dos fonemas em letras ou grafemas, é a aquisição da tecnologia do sistema alfabético e ortográfico.
É importante destacar que o processo de letramento acontece desde o nascimento da criança ao entrar em contato com o mundo da escrita e da leitura mesmo sem ser alfabetizada, pelo contato com livros, histórias em quadrinhos, ilustrações e até mesmo ao presenciar, por exemplo, alguém fazendo uma lista de supermercado ou utilizando as redes sociais para se comunicar, pois é a partir daí que a criança começa a perceber que esses diferentes meios possuem códigos e que ambos transmitem um tipo de informação. Dentro deste processo compreende-se a leitura, que para (FREIRE, 2008, p.19) e (SOARES, 2002, pp. 68-69) respectivamente, é,
“(...) ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra (...)”
“(...) do ponto de vista da dimensão individual de letramento (a leitura como uma ‘tecnologia’), é um conjunto de habilidades lingüísticas e psicológicas, que se estendem desde a habilidade de decodificar palavras escritas até a capacidade de compreender textos escritos. (...) refletir sobre o significado do que foi lido, tirando conclusões e fazendo julgamentos sobre o conteúdo.”
Ou seja, a leitura não é apenas decodificar símbolos linguísticos, mas interpretar e compreender o sentido do texto. É através deste tipo de leitura que a criança, numa concepção construtivista, constrói noções e conceitos sobre a língua escrita, ainda que não compreenda a natureza do código alfabético.
Na concepção interacionista da língua, para que se atinja o objetivo desta, a metodologia é direcionada para o uso da língua em situações concretas e é nessa concepção que a leitura é entendida como um processo de produção de sentido que se dá a partir de interações sociais ou relações dialógicas.
A partir desta construção como base de leitura por meio do letramento, a criança encontra-se em condições de ser alfabetizada.
Para SOARES (2005, p.24),
“(...) alfabetização designa o ensino e o aprendizado de uma tecnologia ..., a escrita alfabético-ortográfica. O domínio dessa tecnologia envolve um conjunto de conhecimentos e procedimentos relacionados tanto ao funcionamento desse sistema de representação (...)”
Ou seja, diferentemente do letramento, alfabetizar implica em ensinar à criança o processo de leitura e escrita, da codificação de fonemas e decodificação de grafemas, da apropriação do sistema alfabético e ortográfico da língua, pois é complexo para a criança transformar o que ouve em escrita sem antes compreender o sistema.
Ao analisarmos os conceitos de alfabetização, letramento e leitura, inferimos que a leitura não compreende apenas a linguística, mas tudo o que envolve o conhecimento prévio da criança para que ela possa construir a sua própria interpretação, bem como de que a leitura está inserida no processo de letramento e que este deve ser trabalhado em conjunto com a alfabetização para que se possa alcançar êxito no ensino da leitura e da escrita.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo, Cortez, 2008.
SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.
SOARES, Magda Becker. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed., 5. reimpressão, Belo Horizonte: Ed. Autêntica, 2002.
Alfabetização e letramento: caderno do professor / Magda Becker Soares; Antônio Augusto Gomes Batista. Belo Horizonte: Ceale/FaE/UFMG, 2005.

Resenha do Livro "Audiência de Custódia e o Processo Penal Brasileiro" de Caio Paiva, 2015.


PAIVA, Caio. Audiência de custódia e o processo penal brasileiro. 1ª ed. – Florianópolis: Empório do Direito, 2015.

A obra de Caio Paiva, recentemente lançada, fala sobre a audiência de custódia no Brasil, vista por ele como um meio de reduzir os danos provocados pelo grande número de encarceramento no nosso país.

A obra tem como fonte principal os Tratados Internacionais de Direitos Humanos, daí porque não dizer que a mesma reflete os direitos do preso, enquanto custodiado. Também tem como marcos teóricos o processo penal como instrumento de contenção do poder punitivo e a superação do enclausuramento normativo interno como abertura aos direitos humanos – teoria – ideologia e prática.

De forma negativa Paiva critica a prisão atual no nosso país como uma defesa dos valores sociais em prol do interesse coletivo, onde na verdade deveria ser levada em consideração a privação da liberdade do indivíduo a ser encarcerado e suas consequências, sendo uma delas e tida como um dos assuntos principais da obra, a tortura.

Para Paiva, a audiência de custódia é uma forma de potencializar a função do processo penal para conter o poder punitivo e proteger os direitos humanos. Além disso, é uma ferramenta que ajudará o processo penal brasileiro a se ajustar aos Tratados Internacionais de Direitos Humanos, o que hoje não é levado em consideração.

A obra tem uma pequena reluta em distinguir a quem cabe a apresentação imediata do preso, principalmente quando referente ao delegado de polícia, não deixando tão evidente se o mesmo possui prerrogativas para tal à letra da lei, visto que até então a autoridade designada para a apresentação do preso é o próprio delegado de polícia  e não o magistrado.

É uma obra de linguagem acessível e fácil compreensão, baseada principalmente na CADH (Convenção Americana de Direitos Humanos) e traz alguns projetos de leis do Senado e provimentos de tribunais de justiça sobre o novo Código de Processo Penal, versando o assunto tema – a audiência de custódia.


É uma obra excelente para quem defende os direitos humanos no processo penal, pois Paiva tem uma visão ampla dos direitos humanos positivados e crê neles como uma solução para a cultura do encarceramento que hoje está instalada no Brasil.

Lucyléa Thomé de Paiva - acadêmica do curso de Direito da Uninorte.

Venezuela - Ilha de Margarita

Olá pessoal!

Fiz uma viagem incrível de Manaus até a Ilha de Margarita de carro! Quero compartilhar com vocês cada momento e espero que possa dar dicas super bacanas pra quem também deseja fazer esse tipo de viagem até lá.

Viagem para Ilha de Margarita
Roteiro: Manaus – Boa Vista – Pacaraima – Santa Elena de Uairen – Puerto La Cruz – Isla de Margarita
Então, vamos lá!
Essa foi uma daquelas viagens tipo... não programadas, sabe?! Pois é. Viajamos em um grupo de cinco pessoas. Tudo pra cima da hora.
Antes de viajar, é claro, pesquisamos do que iríamos precisar como documentação e logo teve toda aquela burocracia. Tomar vacina contra febre amarela e depois trocar seu cartão de vacina nacional (aquele que os postos de saúde dão) pelo cartão de vacina internacional – um saco (porque odeio vacinas, injeções, agulhas... argh!). Depois o carro, é preciso de um “nada consta” retirado pelo proprietário do veículo no Detran (isso quer dizer que se seu carrinho tiver multa – tchau Venezuela!) Ah, ta! Esqueci o mais importante, não é necessário apresentar Passaporte para ir até a Venezuela. Você pode entrar no país apenas com seu RG Civil.
Bom, saímos de Manaus no dia 22/06/2014 e pegamos estrada. Devido estarmos em tempo de Copa nossa viagem se estendeu muito por causa das paradas para assistir aos jogos do Brasil.
Enfim, BR 174 até Rorainópolis (cidadezinha que fica antes de Boa Vista). Chegamos lá a noite e pernoitamos por lá em um hotel por nome Amazônia. Logo na entrada do município já é possível avistá-lo – logo sabe-se que o município é bem pequeno mesmo.
Acordamos bem cedinho no dia seguinte (aff! Detesto acordar cedo), acho que umas cinco da matina, tomamos café e seguimos viagem. De Rorainópolis até Boa Vista – paramos lá por causa do bendito jogo do Brasil e acabamos por pernoitar em Boa Vista também.
Boa Vista é uma cidade bem organizada, pequena, mas planejada e limpa. Sobre hotéis, lá você tem várias opções, ficamos no Aipana (mas só recomendo se você tiver a fim de gastar uma grana a mais por um lugar aconchegante, confortável e bonito).
Em Boa Vista também acordamos bem cedinho no dia seguinte e seguimos para Pacaraima (fronteira Brasil – Venezuela). É importante que você pare em Pacaraima para fazer o câmbio do real para o bolívar, pois depois que atravessar a fronteira não é mais seguro cambiar. No dia pegamos um câmbio bem bacana – 28/1. Isso quer dizer que R$ 1,00 eram 28 Bvs. Se você vai só para passear não precisa levar muito dinheiro, mas se for comprar, aí é outra história! Enfim, você nunca vai conseguir trocar todo o seu dinheiro em real por Bolívar em um só lugar porque é muita nota. Por acaso, enquanto almoçávamos, encontramos um cara que cambiava (seguro) e tinha em grande quantidade. Mas no geral qualquer loja em Pacaraima faz o câmbio. Ah! Na fronteira (onde tem as bandeiras Brasil – Venezuela), sempre ficam uns caras (os cambistas) oferecendo cambio – trocamos pouco com eles porque achamos que trocar em grande quantidade com eles não era seguro.
Logo a frente, é possível ver a Aduana de Santa Elena de Uairén – lá você precisa parar para dar entrada na Polícia Federal Brasileira de que você está saindo do Brasil (basta apresentar seu RG e informar para onde está indo), depois o motorista (proprietário do veículo) deverá ir até o SENIAT apresentar os documentos do carro e os dele, eles expedirão um documento do carro e do motorista para entrar no país, só então depois você irá até o SAIME (é o órgão que cuida dos turistas de outros países), lá você vai apresentar seu RG e informar seu destino (lá os funcionários são venezuelanos, então é importante que você faça o bonzinho pra eles irem com a tua cara), depois disso eles vão expedir um papel assinado e carimbado por eles (de agora em diante esse será seu “RG” turístico para qualquer efeito dentro da Venezuela). Leve seu cartão de vacina e seu RG!!!!
Devido a toda essa burocracia, demoramos muito tempo, porque o SENIAT fecha as 11h30min (horário local) e só abre de volta as 14h00min e nos alertaram que é muito perigoso viajar por lá a noite (e é mesmo!). Então, pernoitamos em Santa Elena numa pousada por nome “Cabañas Roraima”, acho que é uma das melhorzinhas que tem por lá e é bem barato na moeda local. Importante: depois que você passa para a Venezuela seu chip brasileiro de telefone celular não lhe servirá, logo você só tem como opção para se comunicar com o Brasil a internet. Por isso, é importante pernoitar ou ficar mesmo em um hotel/pousada que te ofereça internet. Nesse lugar tem.
Nessa pousada encontramos um conhecido que nos deu algumas dicas e alertas e também um guia turístico. Não tínhamos nenhum mapa, nem nada! E esse guiazinho dele nos ajudou pra caramba! Sério, estávamos perdidos sem ele.
Não recomendo fazer compras em Santa Elena, pois o preço das coisas não diferenciam muito do real para o Bolívar uma vez que eles igualam para não sair perdendo – espertinhos!
De Santa Elena partimos cedinho. Pegamos estrada mesmo! O dia todo praticamente. Logo no início da estrada você já vai vendo as serras. As serras são muito perigosas porque tem muitas curvas fechadas, é preciso muita atenção e cuidado. Até chegar em Puerto La Cruz (onde pegamos o ferry para atravessar o oceano e chegar na Ilha de Margarita), passamos por várias cidadezinhas, a distância de uma pra outra em Km é bem grande, por isso você deve evitar paradas durante a viagem para chegar em dia ainda lá.  Paramos em Upata para almoçar (foi um horror, a comida venezuelana é ruim demais!) e seguimos viagem.
Já início de noite chegamos em Puerto La Cruz com a esperança de comprar os bilhetes pro ferry para o mesmo dia. Mas não deu certo. A fila para comprar era enorme e só tinha ferry para o dia seguinte, por este motivo tivemos que pernoitar em Puerto La Cruz.
Sobre os ferrys: são navios-balsas que transportam veículos e passageiros. Lá existem duas companhias de ferry – a Conferry e a Navibus. Você pode escolher qualquer uma para viajar. Só viajamos de Navibus, tanto na ida quanto na volta, porque era a única que tinha transporte para o veículo no mesmo dia que nós íamos.
No outro dia pegamos o ferry, ao entardecer e depois de algumas horas de viagem chegamos à noite em Ilha de Margarita. Como não conhecíamos nada por lá, tivemos sorte de encontrar dois casais de brasileiros (dentro do ferry) que nos levaram até um hotel onde sempre ficam na Ilha.
Sobre os hotéis e casas na Ilha: acreditam que todos ou quase todos são sempre mobiliados, incluindo fogão, utensílios de cozinha, geladeira, esse tipo de coisa.
Ficamos em hotel maravilhoso que agora não recordo o nome e que fica bem perto do centro da cidade. Lá você tem a opção de escolher hotel próximo à praia (pra quem deseja ficar perto da praia pra poder se deslocar até ela com mais facilidade) ou próximo do centro da cidade (pra quem deseja fazer compras ou ir aos shoppings, pois fica mais perto).
Conhecemos alguns shoppings e o que mais gostei foi o Sambil. É bem amplo, possui várias opções de restaurantes, lojas, tem um “aquário” muito lindo  por sinal! Vale a pena ir lá. Como estamos acostumados com o horário de Manaus, deixamos pra ir ao shopping umas sete da noite pra comer, quando chegamos o shopping já estava fechando! Fica a dica pra quem achar que por lá os lugares ficam abertos até mais tarde, estão enganados. Aliás, tudo fecha muito cedo lá, inclusive as lojas do centro da cidade fecham para o horário de almoço também, então você deve se programar.
Conhecemos algumas praias da Ilha, mas compramos um passeio para a Ilha de Coche. Dica: sempre compre os passeios antecipados, dentro da sua programação, porque é difícil encontrar passeios para o mesmo dia. Como não tinha passeio para o dia que queríamos tivemos que esperar mais um dia para conhecer Coche.
Enfim de manhã cedo o translado para o passeio nos pegou no hotel nos levou até o barco que nos atravessou – é tudo de bom! Em Coche você pode fazer o mergulho com os peixes ou andar de quadriciclo pelas dunas, nós optamos pelo quadriciclo  - também super recomendo! Almoçamos – almoço incluso no passeio. Ao finalzinho do dia retornamos e o translado nos deixou de volta no hotel.
Resolvemos ir à noite ao Parque de Diversões que tem lá, gente é muito bom! Tem até kart! Brinquei em tudo o que tinha direito. Vale a pena. Nesse parque também tem apresentação de golfinhos durante a noite.
Dia seguinte, fomos ao parque aquático El’agua – também muito bom! Tem um “insano” do estilo Beach Park só que menor. Tem uma piscina que faz ondas, muito boa também. O ambiente é ótimo e agradável, oferece almoço também.
De volta pra casa, não esqueça de comprar sua passagem para o ferry com antecedência também, pois você corre o risco de não pegar vaga para o seu carro. Tiramos dois dias de volta pra casa com pé na estrada direto!
Sobre a alimentação:  como eu não gostei do comida venezuelana e nem as pessoas que estavam comigo, nós preferimos comprar em supermercado os ingredientes e fazer no hotel  a nossa própria comida, só assim a gente conseguiu se alimentar direito, rs.
Espero ter ajudado e poder ter conseguido transmitir um pouco dessa maravilha que foi conhecer a Ilha! E pretendo voltar mais vezes lá.
Beijos,
Lu.