PAIVA, Caio. Audiência de custódia e o processo penal brasileiro. 1ª ed. – Florianópolis: Empório do Direito, 2015.
A obra de Caio Paiva,
recentemente lançada, fala sobre a audiência de custódia no Brasil, vista por
ele como um meio de reduzir os danos provocados pelo grande número de
encarceramento no nosso país.
A obra tem como fonte
principal os Tratados Internacionais de Direitos Humanos, daí porque não dizer
que a mesma reflete os direitos do preso, enquanto custodiado. Também tem como
marcos teóricos o processo penal como instrumento de contenção do poder
punitivo e a superação do enclausuramento normativo interno como abertura aos
direitos humanos – teoria – ideologia e prática.
De forma negativa Paiva
critica a prisão atual no nosso país como uma defesa dos valores sociais em
prol do interesse coletivo, onde na verdade deveria ser levada em consideração
a privação da liberdade do indivíduo a ser encarcerado e suas consequências,
sendo uma delas e tida como um dos assuntos principais da obra, a tortura.
Para Paiva, a audiência
de custódia é uma forma de potencializar a função do processo penal para conter
o poder punitivo e proteger os direitos humanos. Além disso, é uma ferramenta
que ajudará o processo penal brasileiro a se ajustar aos Tratados Internacionais
de Direitos Humanos, o que hoje não é levado em consideração.
A obra tem uma pequena
reluta em distinguir a quem cabe a apresentação imediata do preso,
principalmente quando referente ao delegado de polícia, não deixando tão
evidente se o mesmo possui prerrogativas para tal à letra da lei, visto que até
então a autoridade designada para a apresentação do preso é o próprio delegado
de polícia e não o magistrado.
É uma obra de linguagem
acessível e fácil compreensão, baseada principalmente na CADH (Convenção
Americana de Direitos Humanos) e traz alguns projetos de leis do Senado e
provimentos de tribunais de justiça sobre o novo Código de Processo Penal,
versando o assunto tema – a audiência de custódia.
É uma obra excelente
para quem defende os direitos humanos no processo penal, pois Paiva tem uma
visão ampla dos direitos humanos positivados e crê neles como uma solução para
a cultura do encarceramento que hoje está instalada no Brasil.
Lucyléa Thomé de Paiva - acadêmica do curso de Direito da Uninorte.
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